[Dia 1/Desafio] Resenha - O livro do cemitério

sexta-feira, 21 de outubro de 2011




Ontem foi o primeiro dia do meu desafio (20/10/11) e comecei com dois livros. Aqui vai a resenha do primeiro:


O livro do Cemitério
Autor: Neil Gaiman
Editora: Rocco
ISBN: 9788579800122
Ano: 2010
Páginas: 336

Para ler ouvindo:
Bauhaus – Bela Lugosi’s Dead
Silverchair – Cemetery
Silverchair – English Garden
Them Crooked Vult
ures – New Fang

Resenha:
Nossa história começa quando um homem misterioso invade uma casa e assassina uma família. O unico sobrevivente é um bebê, que escapa por sorte e acaba indo parar num cemitério. Após uma longa reunião entre os habitantes (não vivos) do local, no maior estilo reunião de condomínio, decide-se que o garoto vai passar a viver lá.Todos resolvem sugerir nomes de pessoas com quem ele se parece, de modo que a Sra. Owens (mãe adotiva) diz que ele não se parece com Ninguém além dele mesmo. Logo, o garoto foi nomeado como Ninguém Owens.

Um garoto vivo solitário, com amizades estranhas, um cabelo comprido demais e uma mortalha cinza agora habita entre as tumbas, escondido do assassino de sua família.

O plot principal do livro é o crescimento do menino no cemitério, criado pelos seus pais adotivos, os mortíssimos Owens.Existem alguns plots menores dentro da história, uns que começam e se findam em um capítulo só, outros que levam mais tempo que isso (como descobrir quem é o assassino da família, ou ver o desfecho dele com alguma personagem secundária).O foco principal é direcionado para o cotidiano do menino e em como ele conseguiu crescer de uma maneira tão avessa a maneira normal: temendo os vivos e não os mortos.


O modo como Gaiman descreve o sobrenatural e lida com questões como a morte (e principalmente a Morte, substantivo próprio) me cativa lou-ca-men-te. Sou fã incondicional de Sandman, e a Dama Cinzenta sábia e tranquila(e, porquê não, bondosa?) de O Livro do Cemitério não deve nada em qualidade e cativa tanto quanto sua Morte sorridente e gótica de Sandman. A visão diferente que ele apresenta de algo tão distante e “assustador” quanto um menino sendo criado pelos mortos é surreal, é fantástica. O modo como ele apresenta os mortos (com direito a um parêntese com sua data de nascimento ,morte e seu epitáfio), a maneira como o período histórico onde viveram influencia o comportamento das personagens e acima de tudo o jeito como tarefas comuns da infância e adolescência são adaptadas para esse ambiente justificam e realmente convencem como razões plausíveis para ele não precisar deixar o cemitério nunca, como ele tendo um guardião vampiro sábio que busca no “mundo exterior” o que ele precisa, ele aprendendo o alfabeto pelas letras nas lápides ou indo visitar a tumba de um poeta para conselhos, visitando almas de professores quando quer aprender e de médicos quando se machuca. Esse tipo de detalhes tão bem imaginados te prendem na história do começo ao fim.

Acho que o seu ponto negativo é o fato de várias expressões se perderem na hora da tradução(apesar de que não acho que tivesse uma solução pra isso, já que se tratavam de expressões muito específicas), como “Jack of All Trades” (que é uma expressão que equivale a “pau pra toda obra” aqui) que ficou “Jacks-Fazem-Tudo” ou “Os Valetes” (Jack significa, também, Valete em inglês) .



É uma leitura leve, bem imaginada, bem ilustrada e sobretudo bem escrita, que consegue te convencer de que crescer é uma tarefa tão assustadora quanto viver num cemitério. Você nem vê as páginas passarem e no final não quer acabar o livro.Ninguém Owens já tem um espaço no meu coração junto com Os Perpétuos, Coraline e outros personagens de Gaiman. Recomendo louca e alucinadamente.

[Ninguém e Silas conversando sobre suicídio]
“E deu certo? Elas foram mais felizes mortas?”

“Às vezes. A maioria não. É como as pessoas que acreditam que serão mais felizes se mudarem para outro lugar, mas que logo percebem que não é assim que funciona.Para onde quer que você vá, leva a si mesmo.Acho que está me entendendo.”


1 comentários:

  1. Ahhhh, que vontade de ler esse livro! *3* Por enquanto, de Neil Gaiman eu só conheço Sandman...

    ResponderExcluir

Blog contents © The Neon Lightning 2012. Blogger Theme by Nymphont.