[Dia 3/Desafio] Resenha - Quase Pronta

sábado, 22 de outubro de 2011


Quinto livro, lido no dia 3 do desafio (22/10/11), continuação de A Garota Americana. Vamos lá.


Quase Pronta

Autor:
Meg Cabot
Editora: Record
ISBN: 8501079545
Ano: 2008
Páginas: 288


Pra ler ouvindo:
Muito No Doubt e Gwen Stefani, novamente.
Silverchair – Barbarella
Estelle – American Boy
Amy Winehouse – Amy, Amy, Amy
Noisettes – Wild Young Hearts
Corinne Bailey Rae – Young and Foolish
Bloc Party – Banquet


Resenha:
Passou-se um ano desde que Samantha Madison, a heroína nacional, salvou o presidente dos EUA e ganhou um cargo na ONU totalmente aleatório sem fazer idéia do pra quê servia, no maior estilo “não sei o que faz um deputado federal, mas quando eu descobrir eu te conto”. Depois de todas essas mudanças na sua vida, incluindo no estilo já que Samantha agora pintou os cabelos ruivos de preto, ela precisa enfrentar uma decisão importante a qual não conseguiria fazer num impulso como a do primeiro livro: Agora seu namorado David, o Primeiro Filho, a convidou pra passar o dia de Ação de Graças com ele em Camp David (uma propriedade do presidente, onde ele e sua família viajam para descansar). Para ela, isso significa que ele está querendo dar um passo a frente rumo a uma intimidade que ela não sabe se quer. E esse conflito atormenta ela o livro inteiro.

Assumo que comecei o livro com receio. Sabia que A Garota Americana era uma leitura descompromissada, mas acreditei mais na história do primeiro livro do que na do segundo. Até a metade do livro eu já estava cansada do modo como Samantha lidava com as aulas de "desenho vivo" (com um modelo peladão, é.) e com tudo aquilo de dar um passo a frente no relacionamento e “Fazer Aquilo”(sim, com letras maiúsculas, exatamente como descrito no livro). Mas a questão é que o livro é muito mais do que a história de uma garota que não sabe se está pronta ou não pra perder a virgindade. É sobre a liberação sexual feminina e tudo o que ela inclui, e em como tudo e todos querem tomar decisões pelas mulheres e elas se perdem sem saber a diferença entre o que acham certo e o que elas pensam que deveriam achar certo.

Tudo melhorou da metade pro final, onde eu finalmente tive uma epifania: acatei o conselho da professora de artes de Samantha e passei a “observar o todo, e não apenas partes.”
O fato de Samantha ser uma heroína nacional demonstra perfeitamente o ponto de vista o qual Meg prova o livro inteiro. Samantha é uma heroína nacional, com repórteres na frente da sua casa se metendo em todos os aspectos de sua vida, mas muitas garotas não salvaram o presidente e continuam tendo sua vida invadida e dedos apontados na cara por causa de decisões tomadas acerca da própria vida sexual (ou a falta de vida sexual) delas. Quando eu tive essa epifania, o livro finalmente começou pra mim: Os repórteres invasivos são exatamente como aquelas pessoas que chamam uma garota de vadia por ela ter decidido o que fazer com o próprio corpo. São apenas gente que se mete no que não os diz respeito.

O livro trata de temas considerados tabu pela maioria das meninas (como o próprio sexo, pessoas que acham que podem podar os direitos dos outros, masturbação, pais, assumir publicamente suas opiniões acerca desses assuntos, gente hipócrita e outras coisas mais) e ajuda a desmistificar muitas coisas. O fato do livro tratar disso como natural ajuda muito a história a se desenvolver, ajudando o leitor a também se familiarizar com os assuntos apresentados sem achá-los tabu. Os personagens secundários sempre aparecem nas horas certas. Até mesmo Lucy, a irmã popular da protagonista são fundamentais pra história acontecer. Lucy, a animadora de torcida acusada por Dauntra (que também é outra personagem fantástica, colega de trabalho de Sam) de “invalidar a causa feminista” faz a coisa mais feminista* do livro inteiro. Surpreende numa cena MUITO boa no final, minha favorita all the way.

Se você encarar esse livro como apenas a história de uma garota indecisa, nunca vai conseguir entender a grandeza do que ele quis dizer. Ele dá um spoiler da vida para as garotas : A decisão é totalmente de vocês, e não dos outros. Não importa se te chamam de vadia, se falam como se tudo fosse tabu e se as pessoas se sentem no direito de censurar. A decisão, no final, é toda de vocês. E vocês não precisam salvar o presidente nem dizer isso em rede nacional para que a sua voz seja ouvida(como Sam fez) e sua opinião validada.

Meg Cabot me surpreendeu, de novo. Consolidei aqui minha admiração por ela. O livro que começou “faltando alguma coisa” conseguiu superar o primeiro na minha opinião, e foi parar na lista dos favoritos.

"– Você sabia – Completei, meio sem jeito – que o cara que fez o papel de Conde de Monte Cristo também fez o de Jesus naquele filme que o Mel Gibson dirigiu?
Finalmente, foi a vez de Lucy parecer chocada.
– Não acredito!
– Hum, é, fez sim. Então, de certo modo, todas aquelas vezes na banheira você ficou...
–NÃO DIGA ISSO! – A Lucy exclamou. E então saiu correndo para o quarto dela."


*favor não tomar o termo feminista como uma espécie de “machismo só que com mulheres se achando superiores, algo igualmente errado e blablablá”. Eu sei que esse tipo de confusão acontece, então se tiverem alguma dúvida sobre o tema deixem nos comentários que eu respondo.

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