Text Tuesday #1 - Leitores de Bestseller x O mundo

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Vamos estrear essa Text Tuesday com polêmica, meu Braseel!


Leitores de Bestseller x O mundo

Já aconteceu comigo. Já aconteceu com muita gente que eu conheço. Pode ter acontecido com você também, ou talvez você já tenha feito isso. O fato é que não são incomuns situações do tipo onde fulaninho x comprou um livro bestseller e está lendo-o e fulano y, super cult, olha a pessoa de cima a baixo e tira sarro.Não é raro encontrar gente que gosta de determinado tipo de livros e esconde dos amigos por “não ser cool” também.
Essas divisões existem, gente. Não adianta fingir que somos todos um grupo de leitores felizes unidos, pois isso não acontece. Dentro do próprio mundinho literário existem preconceitos com certos autores e obras, exatamente como existe no mundo musical. Se você não lê autor x e y, você não entende de livros, se lê bestseller você não é inteligente, se lê livros cult não sabe respeitar o que é novo. E as interminaveis rivalidades continuam por aí.

Quando foi que essa indústria voltada pro conhecimento e entretenimento virou apenas símbolo de status, gente? Desde quando gostar de algum gênero ou autor faz você menos legal ou inteligente? O caso mais comum hoje em dia acontece com os fãs de Twilight, obra que era must na estante de muita gente até virar “moda” e ser rejeitado massivamente, só pra dar um exemplo. Ler livros não é mais questão de gosto ou entretenimento, virou símbolo de status. O que você lê te define, e não o contrário. Se a massa considera um livro ruim, vira sinônimo de vergonha dizer que gosta dele, e muitas vezes obras boas perdem leitores em potencial por críticas negativas desse tipo. Quando perguntamos a alguém de quais livros a pessoa gosta, talvez ela nem seja 100% sincera ao dizer, com medo de ser julgada. Aliás, eu acho meio errado por si só “julgar gosto literário”.Acho que quem faz isso acaba sendo fútil e pedante.

Ler Dostoiévski não te faz mais culto, ler Bestseller não te faz futil e nem burro. Não tem problema nenhum gostar de livros que “o bom senso” não permite.Afinal, quem faz esse “bom senso” na maioria das vezes nem leu o que considera ruim e não aprendeu nada sobre o principal dos livros: não julgue-os pela capa. E, principalmente, não aprendeu que gosto é algo pessoal e variável, tornando essa história de “bom gosto” um grande mito. O que existem, sim, são gostos compatíveis, mas dividir as pessoas entre as que tem “bom gosto pra livros” e as que tem “mau gosto” é infantil e pequeno demais. Acaba transformando o prazer de ler livros de muita gente em algo a que se envergonhar, e afasta as pessoas que desejam entrar no mundo dos livros mas não sabem por onde começar, sem contar que divide as pessoas em dois grupos no estilo "Israel e Palestina". Nada impede ninguém de ler Kafka num dia e Stephenie Meyer no outro, e negar isso é muito “pré-escola” pra minha cabeça, e só prova que muitas vezes os "arautos do bom gosto" na verdade são mais infantís do que os "pobres coitados que não conhecem nada além de bestseller".

3 comentários:

  1. Concordo muitoooo com tudo que você disse Sarah!
    Acho tão ridicula a atitude dessas pessoas que tem esse preconceito na hora da leitura. Acho que todo mundo deveria ler de tudo e essa coisa de falar 'ah, ler isso é feio' só desmotiva mais pessoas de começar a ler. E o mais importante, para mim, é isso: fazer todo mundo começar a ler.
    É necessário. Não importa se você está lendo um classico, ou um bestseller, você aprende absurdos quando lê.
    Amei, amei o texto. É minha primeira visita aqui, mas vou com certeza voltar :)

    Beijooos
    Minha Bagunça.

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  2. É uma questão delicada de questionar.
    Concordo com o que diz em seu seu texto.

    A mídia num geral que sempre imponhe o que vamos ler, assistir e ouvir. Até os mais "all hype" revoltados total tem que admitir isso.
    O problema maior, acho eu, é o vinculo de propaganda que se faz em cima de uma coisa - isso faz com que muitos enjoem sem precisar ler.

    Agora no caso de Crepúsculo devo discordar de você, eu li um livro da Saga, achei ridiculo em todos os sentidos. E para piorar a sintuação me fazem um filme dele com uma atriz tão ruim quanto sua personagem.
    Mas é aquilo - há gosto para tudo. O que seria de da matématica se todos gostassem do português? Pois é.

    Cada um sabe do que gosta e o que quer ler. Já li comédias de mulherzinhas, a suspense, mas gosto mesmo daquilo que não é tão falado, parece que me chama atenção, temos que ler o que temos vontade, e assim que DEVERIA SER..

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  3. Mas então, o direito de ler e tirar as próprias conclusões tá aí pra ser usado mesmo. Já lí muita coisa que não gostei meeesmo na vida, mas o importante é você ler e conhecer antes de ter opinião sobre (que é o básico, né?). O foda é quando uma pessoa lê algo que não gosta (ou as vezes nem mesmo lê) e já sai julgando meio mundo que gostou de "não ter bom gosto" só por não ter gosto semelhante ao dela. Cada um sabe de sí e do que gosta, e meter o dedo no gosto alheio não é nada maduro. Até porque, como no caso de Crepúsculo mesmo, muitas vezes apesar de ser uma obra considerada ruim por meio mundo, é a obra que mais tá abrindo caminhos pra leitura jovem agora. O gostar e o não gostar é direito inalienável, o problema é julgar o resto do mundo por não ter as mesmas preferencias que você.

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