[Dia 6 - Desafio] Resenha - Tequila Vermelha

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Tequila Vermelha
Autor: Rick Riordan
Editora: Record
ISBN: 9788501091550
Ano: 2011
Páginas: 432
Pra ler ouvindo (vai ser extenso esse, se preparem):
Robert Johnson – Crossroad Blues
Robert Johnson – Sweet Home Chicago
Robert Johnson – Terraplane Blues
Queens of the Stone Age – Go With The Flow
Queens of the Stone Age- Burn the Witch
Queens of the Stone Age – 3’s & 7’s
Kings of Leon - Wasted Time
Them Crooked Vultures - Elephants
Them Crooked Vultures - Reptiles
Tom Waits – Going on West
Aerosmith – Back in the Saddle
Kyuss – El Rodeo
Kyuss – Hurricane
The White Stripes – Black Math
The White Stripes – Icky Thump
The White Stripes - Little Bird




Resenha:

Acho que a maioria dos leitores em potencial desse livro o conhecem pelo autor. O nome Rick Riordan pesa, ele sem dúvida é um dos autores mais conceituados atualmente por causa de sua série de sucesso Percy Jackson e os Olimpianos e outros infanto juvenís. Não. É só o que eu tenho a dizer. Não corram pra essa série se vocês esperam ter mais da escrita infanto-juvenil ultra dinâmica e característica do Tio Rick (sim, pra mim é Tio Rick. Sou amicíssima dele e saímos pra tomar chá todas as quintas-feiras, caso vocês se perguntem “que intimidade é essa?”). Vão ler As Crônicas dos Kane, Os Heróis do Olimpo ou esperar por livros futuros. Quem corre pros braços de Jackson “Tres” Navarre procurando o outro Jackson vai ter uma decepção monumental. E só pra deixar registrado, acho uma idéia terrível ter entre o nome do autor (que já é um chamariz por si só, tanto que está em letras maiores que as do nome do livro) e o título, umas letrinhas que dizem “do autor da série Percy Jackson”. Acaba sendo meio ineficiente e pode enganar.


O livro não é ruim, antes que vocês saiam correndo pra tirá-lo das listas de “vou ler” e “desejado” do skoob de vocês. O conselho vale também ao contrário, se você tem certo receio em começar a ler Rick Riordan por causa da sua fama com livros infanto-juvenís, o livro serve pra provar que se seu gosto literário é versátil e pode ser adulto, a escrita de Riordan também e o livro é um começo muito bom para uma série que eu creio ser muito promissora.

Jackson Navarre, o terceiro de sua família (e, por isso, apelidado de Tres) é quem nos conta sua história. Uma década após a morte de seu pai, Tres volta para seu lar no abafado calor do sul Texano de onde tinha fugido por não conseguir lidar com as reviravoltas de sua vida. Volta para fazer investigações próprias acerca da morte do pai já que as policiais foram inconclusivas, e acaba tomando rumos e descobrindo coisas que ninguém havia pensado que estavam lá. Controverso, acaba mexendo com figurões da máfia, gente poderosa e inimigos do passado e obviamente eles não deixam por menos. Surrado, atacado, atropelado por um thunderbird azul, baleado e sendo presenteado frequentemente com coisas do tipo um teto solar no seu fusca (aberto por um tiro de .45, é claro) Tres continua sua saga enquanto outras situações do passado surgem para confrontá-lo, como sua ex abandonada há 10 anos Lilian que é sequestrada. Ele atrai confusões com um magnetismo incrível, e quando você acha que ele finalmente se livrou e o pior já passou...nãaaaao.

Tres, nosso anti-herói, é cheio de defeitos nada latentes porém cheios de singularidades que o fazem ser um personagem no mínimo interessante.Pra começar ele tem um gato chamado Robert Johnson, homônimo de um dos músicos mais conhecidos (quiçá o mais conhecido) de Delta Blues. O Bichinho tem um peculiar gosto por enchiladas e as cenas em que aparece no livro são as mais divertidas de ler. Além disso é detetive particular informal (o que significa sem licença, pois é ), mestre de Tai Chi, curioso, presunçoso e inconsequente, bebe tequila como se fosse água e resolve seus problemas das formas mais bizarras, até mesmo causando alguns deles por culpa de sua personalidade. Além disso tudo ainda é bilíngue e Ph.D. em letras e barman. Muito versátil, o rapaz.

Quanto a leitura, não nego que em algumas partes o livro se arrasta e eu que sou total e irremediavelmente péssima para guardar nomes de personagens me perdi umas quinhentas vezes entre conhecidos, amigos e inimigos de Tres. A frase que definiu minha leitura foi “pera, quem diabos é esse cara mesmo?”. A narração em primeira pessoa não facilita absolutamente nada também, já que para Tres aquilo é tudo muito familiar e isso deixa o leitor boiando várias vezes. Acho que com o decorrer da série vamos nos familiarizando como Tres e aprendendo quem é quem para sentirmo-nos como ele, apenas lembrando de velhos conhecidos, ou assim espero. Vale lembrar que a diagramação é impecável, e eu adorei o desenho da botinha de cowboy com a espora no início de cada capítulo, achei uma graça.

Eu gostei de Tequila Vermelha e tenho intenção de continuar a série. Me afeiçoei bastante ao errante e impetuoso Tres e seus cenários desérticos e abafados do Texas, e em suas investigações que seguem por meios não ortodoxos porém eficientes (e, é claro, a Robert Johnson também!). Não recomendo o livro a todos, pelos motivos já citados acima. Porém, se você está em busca de um livro adulto, regado a tequila, brigas de bar e investigações, a série foi feita para você.


“Eu voltara para casa havia apenas dois dias e já conseguira bagunçar meu frágil relacionamento com Lilian, irritara minha mãe, traumatizara meu gato e fizera pelo menos três novos amigos”



“- Navarre, as palavras “vai te catar”significam alguma coisa pra você?
-Não quando alguém as ouve com a mesma frequência que eu.”


“-Então... o que o senhor faz?
- Pesquisas, investigações. Sou bilíngue, Ph.D. em letras, mestre em artes marciais, tenho personalidade agradável.
Podia ouví-lo bater o lápis na mesa
- E então Maia o contratou para quê? Discutir literatura? Quebrar braços?
-O senhor ficaria impressionado com quão poucas pessoas são capazes de fazer as duas coisas.
[...] O entusiasmo dele não era contagiante[...]
-Já contei que sou barman?”

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