Review Thursday #3 - Resenha de Annabel & Sarah

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Annabel & Sarah
Autor: Jim Anotsu
Editora: Draco
ISBN: 8562942030
Ano: 2010
Páginas: 156

Para ler ouvindo:
The Dresden Dolls – Girl Anachronism
Nirvana – Heart Shaped Box
Arctic Monkeys – D is for Dangerous
Blood Red Shoes – Say Something, Say Anything
Silverchair- English Garden
Raconteurs – Steady As She Goes
No Doubt – Different People




Resenha:

Me apaixonei por Annabel & Sarah. Esse livro me cativou de um jeito tão forte que eu demorei só uma hora e meia para lê-lo, tamanha a vontade de devorar a história. Isso é rápido demais até pros meus padrões, haha.

Ele tem uma aura meio Alice in Wonderland, mas com a clichê porém sempre interessante história das gêmeas totalmente diferentes.
Enquanto Annabel é uma garota sarcástica e reservada, Sarah é fofa, extrovertida e alegre. As duas moram em casas separadas, uma com a mãe e outra com o pai, e em um final de semana precisam sair juntas. Annabel não gosta nada da idéia de ter que aturar Sarah um final de semana inteiro, até que ela é sequestrada misteriosamente. A partir desse momento, as duas precisam seguir jornadas separadas em mundos no mínimo curiosos para que possam se reencontrar.

Posso abrir um parágrafo todo especial pra comentar que eu tenho medo do Jim Anotsu? Já que, sim, ele deve ser meu stalker e eu não sei. Me surpreendí
muito com o quanto a Annabel se parece comigo, até nas coisas pequenas. Corta os próprios cabelos, não tem um celular por ter horror a ser encontrada a toda hora, gosta das mesmas bandas que eu gosto e tem roupas parecidas com as minhas. Brincadeiras a parte, é sempre bom ler um livro onde você consegue se enxergar em uma personagem, torna a experiência muito divertida. E ler um livro onde alguma das personagens tem seu nome também é algo que vocês deveriam tentar se tiverem oportunidade, é estranho mas de um jeito bom.

Enquanto Sarah é levada a um estranho lugar chamado Allegria onde todos são obrigados a serem sempre felizes e a tristeza é um privilégio proibido, Annabel é designada para encontrar a flor amor-perfeito e trazer Sarah de volta, num lugar onde animais falam e andam e humanos são criaturas selvagens que são domesticados ou temidos. Cada um desses mundos possui sua ironia e genialidade próprios, e eu gostei muito do modo como são descritas as duas jornadas que são cheias de críticas inteligentes, entrelinhas, metáforas e passagens tão geniais que chegam a ser divertidas. Muito da graça do livro depende da sua capacidade de interpretação e de “pescar” as diversas referências, já que o livro é recheado de referências geniais a música, livros, filmes e cultura pop. De um modo geral elas são muito bem executadas(exceto pela referência a Sweet Lolita de Annabel, quando ela descreve Sarah *). O livro já começa com um capítulo chamado “Garota Anacronismo”, nome de uma das minhas músicas preferidas da vida, do duo americano Dresden Dolls. Tem como não amar? Os interlúdios no meio da história também são deliciosos de ler, dando uma graça a mais e contando mais sobre momentos da vida das irmãs fora do plot principal da história, ótimos para ajudar a desenvolver as protagonistas.

Além da história principal que acaba deixando essas duas irmãs tão distintas um pouco mais próximas, as personagens secundárias apesar de terem pouco espaço na trama não deixam absolutamente nada a desejar, já que cada uma possui certo carisma e ajudam na hora de conduzir a história. Um ótimo livro nacional, daqueles que você termina de ler com um sorriso no rosto. Usa de todos os recursos que possui para tornar a leitura mais emocionante e incrível, e além de tudo com uma diagramação linda e ótima. De escrita suave, em partes surreal mas sempre impecável,
me prendeu do começo ao fim.

"Jenny e Virgínia são garotas anacrônicas,
ficam belas de rosa, mas consideram preto substancialmente melhor.
As garotas nem sempre fazem as coisas certas, mas quando cometem as erradas,
isso é acidentalmente de propósito"

(pág. 85)


* “você e seu jeito Sweet Lolita delicada e perfeita ” (pág. 25)
Não existe algo como um jeito Sweet Lolita “delicado e perfeito” já que é apenas um estilo de roupas sem comportamento definido, que não exige de forma alguma um jeito para acompanhar e combinar com as roupas (o que significa que se você quiser ser a encarnação do satanás vestida com laços, ninguém tem nada a ver com isso). Sim, eu sou BEM chata com essas coisas, e qualquer uma que já fez parte da cena lolita entende meu drama.

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