Sobre o ato imperdoável de chamar a atenção, timidez e levar um golfinho pra passear

quarta-feira, 22 de maio de 2013


Sobre o ato imperdoável de chamar a atenção, timidez e levar um golfinho pra passear

Eu sou visualmente destoante da maioria das pessoas. Não acho que isso me faça melhor ou pior que alguém, mas considerações à parte eu sou um tipo até incomum de encontrar por aí, e tenho sido assim desde que me entendo por gente. Não basta eu ser socialmente awkward e nem ser tímida e fechada, eu tenho que aliar isso com um gosto por roupas um tanto quanto incomuns, cabelo colorido e batom azul. E às vezes balões.

quase sempre balões, na verdade

 O meu ponto com isso é que ser visualmente destoante é um tema controverso, sempre. Se você quiser saber como é, pense em alguém da mídia e pegue só a parte ruim: todo mundo sempre vai ter uma opinião sobre você e vai se achar no direito de te comentar, gritar na rua, pedir pra tirar foto, fazer piada... é um tanto quanto desumanizador. Você é um vaso exótico de decoração e todo mundo vai parar pra olhar, seja pra dizer que amou, pra tirar foto ou falar que é ridículo (e dê graças a deus se não passarem a mão).  Não vou negar, com o tempo me acostumei com esse tipo de coisa, mas é um preço que eu não gostaria de pagar. Existem pequenas coisas boas como ser chamada pra coisas legais, gente que te admira, ganhar dinheiro  só porque uma moça de uma empresa de pesquisa gostou de você, os coolhunters, as pessoas te encontrarem mais facilmente e crianças te chamando de sereia/fada/princesa,  mas isso é uma exceção perto das pessoas sem noção que se acham no direito de te berrar no meio da rua o quanto o seu cabelo é horroroso.  Pergunto-me o que faz essas pessoas acharem que isso é um comportamento aceitável, afinal eu acharia estranhíssimo e de mau gosto parar pessoas ‘normais’ na rua pra falar “moça, sua progressiva tá vencida e horrorosa” “moço, você é horroroso”  “cara, por quê você tá usando chinelo com roupa de frio?” e coisas do gênero. É absurdo.


Quando discuto isso com pessoas que não têm o mesmo problema, uma resposta muito comum é a de que eu estou “pedindo por isso porque gosto de chamar atenção” e que preciso aguentar.  É um erro sem tamanho supor que só porque uma pessoa se veste de jeito x ou y ela está confortável com atenção, especialmente a negativa (e mesmo que eu quisesse e soubesse lidar com isso, é um erro supor que chamar a atenção é algo condenável).  Eu sou a pessoa que fica sentada num canto ouvindo música E lendo um livro pra não ser abordada inutilmente, eu não sei me apresentar para um grupo de pessoas que não conheço e nem nada que exija habilidade social. O grande problema é que eu tenho inspirações em coisas como moda de rua japonesa, criaturas mágicas e subculturas underground, e me expresso através da minha imagem com cabelo, roupas, maquiagem. Pra mim é uma espécie de arte, eu gosto disso e isso me faz bem e me faz confortável e condizente por fora com o que sou internamente e com meus interesses.  Não é uma espécie de fantasia que visto pra fotos, quem convive comigo sabe que eu uso tudo isso no dia-a-dia e que é possível me encontrar 8 horas da manhã maquiada e montada na faculdade. Lendo um livro E ouvindo música até a aula começar, mas ainda assim montada. Isso é quem eu sou e faz parte de mim. Um belo dia eu precisei prometer pra mim mesma que seguiria sendo eu mesma mesmo que isso significasse perder “amigos” por eles terem vergonha de andar comigo na rua e ser obrigada a dar um boost na minha confiança, seja pra berrar de volta pra quem me ofende ou pra vestir meus sapatos alados e levar meu balão de hélio em formato de golfinho para passear e tirar algumas fotos. Faço isso tudo E sou tímida e recusaria de bom grado esse tipo de atenção, e inclusive não peço por ela. Sou exatamente tão controversa quanto um rockstar  que sobe num palco e performa incrivelmente por horas sobre tudo o que quer expressar e depois, quando volta a vida normal, surpreende os outros por não fazer questão de socializar. Como diria o incrível Daniel Johns “you meet people every night who expect you to be this rock star with these developed social skills, which I don't have* “. E não tem nada de errado com isso. Daniel: tamo junto. Acho que  sou meio criança, aquelas que dão risada alto e correm o tempo todo, mas quando alguém chega perto pra dar oi se escondem na barra da saia da mãe e respondem a idade que tem fazendo o número com a mão. Mas quando eu era pequena ninguém me questionava o porquê disso.  


talvez as pessoas devessem manter seu lado infantil

E então,  sou questionada sobre a atenção positiva e a “fama”, se não é isso o que me leva a continuar. Não, não é. O que me leva a continuar é que eu sou assim e não quero me ‘fantasiar’ de outra pessoa.  O resto é uma espécie de compensação, um prêmio mínimo por eu ter a coragem de ter dado ao mundo meu dedo do meio e ignorado  tudo pra ser quem eu sou. Primeiro que eu não sou nada famosa, se fosse estaria por aí ganhando dinheiro e tudo de graça. Newsflash: ser notada e ser famosa são coisas diferentes. Segundo que essa parte boa na verdade só existe por causa da parte ruim, ou alguém ainda acha que o “nossa, queria ter a coragem pra ser assim” significa coragem de vestir o que eu visto ou pintar o cabelo? Essa é a parte fácil. Difícil é sair de casa e enfrentar a chibata chamada opinião alheia, esperando que um dia o mundo seja feito apenas de pessoas que te chamam de boneca ou fada, ou até mesmo das que olham estranho e perguntam educadamente se estiverem curiosas, porque não, não é errado ser curioso perante o que lhe é desconhecido e tentar entendê-lo. Com isso eu lido: paro, respondo educadamente e sigo meu dia. O problema é falta de respeito e com isso eu ajo respondendo bem alto, de forma que faça o idiota que escolheu justo a mim pra irritar passar o ridículo o qual ele tentou me expor. E eu sinceramente não sou obrigada a me "esconder" e ser algo o qual não me sinto bem sendo só porque não quero ouvir besteira. O resto do mundo que é obrigado a ser pelo menos um pouco mais civilizado. Não precisa ser menos curioso e nem ter menos estranhamento, só respeito. Enquanto isso, sigo ouvindo e respondendo besteira na rua, e ficando sem jeito quando alguém me elogia.


*Você conhece pessoas todas as noites que esperam que você seja um rockstar com habilidades sociais desenvolvidas, coisa que eu não tenho.

4 comentários:

  1. Adoro o seu estilo. E mais ainda suas opiniões sobre o assunto. Sua coragem, e tal. A grande questão é: respeito à identidade alheia. Respeito à INDIVIDUALIDADE (caps, please). Não concordar, não dá direito a julgamentos e ofensas. Eu tenho em mente que hoje em dia (ou sempre foi assim, sei lá), as pessoas usam como desculpa pra rebaixar o outro a tal da liberdade de expressão. Calma aí. Não é bem assim também. Dá pra manter a educação e expor suas ideias numa boa. E expor sua ideia também não significa que precise convencer o outro sobre qualquer assunto que seja. Este é outro mal. Dá agonia isso.
    Enfim, eu sou bastante tímida (no nível isolamento social mesmo). Eu acabo me reprimindo um pouco por isso, já que tenho que lidar com o fato do meu gosto também não ser lá tão normalzinho. Tenho piercings, gosto de creepers, sapatos boneca, coturnos. As roupas que me agradam acabam dizendo serem um pouco diferentes. Eu não me incomodo com o que vão pensar, mas me deixa desconfortável os olhares, ser notada, mesmo que pouco é difícil de lidar. É engraçado, que pra mim é normal, porque é do que eu gosto. Você é muito mais, digamos, chamativa e estilosa, rs, do que eu (aliás, nem me acho chamativa ._.), e mesmo assim acredito que aos seus olhos tudo isto seja... normal. Porque é o seu gosto, esta é quem você é de verdade. E viver como se tem vontade, se sentir confortável com quem você é, não tem preço.
    As pessoas não conseguem admitir que aqueles que possuem pensamentos e ideias que destoam das delas não estão buscando aceitação dos outros. Buscam sim, a aceitação de si mesmos. Parece que se recusam a aceitar que algo que eles julgam diferente possa ser o natural da personalidade de um indivíduo. Não, não. É sempre pra chamar atenção, mimimi --' Negócio difícil esse, hein.

    P.S.: balões e balanços... são tão nostálgicos!
    E algodão doce, haha. Gente!

    Adorei as fotos ♡

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    1. brigada ;^; e sim, a chave de tudo é o respeito. Até mesmo a abordagem nem sempre é ofensiva, existem curiosos mal educados e curiosos super simpáticos que iluminam seu dia, assim. E pois é, acho que as pessoas não ouviram da mãe que ~qualquer~ liberdade sua termina onde a do outro começa, inclusive a de expressão. Poder falar o que quer não é poder falar besteira, especialmente se for ofensa/preconceito puro. Com o tempo melhora a relação com os olhares, sério. Incomoda mas é menos chato e dá menos medo, e o prazer de não ficar se podando acaba sendo maior ♡ dane-se que o mundo não entenda que não é pra chamar atenção externa, o importante é ser feliz ♡

      E cara, eu amo algodão doce também HAHAHAHAHHA ♡

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  2. "If I can't be my own, I'd feel better dead."
    Nutshell *-*
    Tava ouvindo hoje; a postagem me fez lembrar desse trecho.

    (Rapaz, eu escrevi uma bíblia, foi?! HAHAHA).

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    1. a frase é incrível ♡ e zeus abençoe você e a sua bíblia HAHAHAHHA ô coisa boooa receber comentários decentes ♡

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